HISTÓRIA POLÍTICA II - FORUM I NEAD UFSJ FILOSOFIA
Resumo Analítico: “Joana D’Arc” de Luc Besson POSTAGEM
FINAL : Após analisar postagem de nossos colegas de curso, e minha, cheguei na
seguinte conclusão, sobre os dois filme: Joana d’Arc (Luc Besson, 1999) e Joana
d’Arc (TV/Drama), Ambos os filmes de 1999 sobre Joana d’Arc abordam o mesmo
episódio histórico sob perspectivas filosóficas distintas. Em O Mensageiro: A
História de Joana d’Arc, de Luc Besson, a narrativa enfatiza a dimensão
psicológica e existencial da personagem: Joana é retratada como alguém
dilacerada entre a fé e a dúvida, entre o chamado divino e a possibilidade de
delírio. O “mensageiro” que a interroga simboliza a razão que questiona a
origem de suas visões, transformando a história em um drama sobre a consciência
e o limite do conhecimento humano diante do sagrado. Já o filme Joana d’Arc
(Drama, 1999) adota uma visão mais tradicional, em que a heroína é apresentada
como mártir inspirada e movida por uma fé inabalável. Enquanto Besson propõe
uma leitura moderna, que problematiza a tensão entre racionalidade e
transcendência, a versão dramática reafirma a pureza e a certeza da fé como
fundamento da ação. Assim, a diferença entre os dois filmes reflete dois modos
de compreender a experiência religiosa: como conflito interior ou como convicção
absoluta. Eles revelam , em sua essência dramática e simbólica, o cerne da
tensão que perpassou a cultura medieval: o embate entre fé e razão, entre a
revelação mística e o conhecimento teológico institucional. A figura de Joana
encarna a fé como uma experiência imediata, intransferível e visceral,
desafiando tanto o poder político quanto a rigidez eclesiástica. Suas ações
emanam de uma certeza interior — a convicção de ser um instrumento da vontade
divina — que se recusa a ser aprisionada pela lógica dos argumentos ou pelas
mediações formais da Igreja. Essa fé ativa e auto-disciplinadora contrasta
dramaticamente com a racionalidade inquisitorial que busca enquadrá-la,
culminando na cena do interrogatório, onde a revelação pessoal é confrontada
pelos critérios da ortodoxia.
Simultaneamente, o filme demonstra como a espiritualidade
medieval era intrinsecamente política. Joana converte sua fé em uma poderosa
ferramenta de legitimação e mobilização, transformando a guerra em uma missão
sagrada e a obediência religiosa em ação concreta. Essa perigosa fusão entre o
místico e o político dissolve as fronteiras entre o sagrado e o profano, o
feminino e o masculino, o divino e o humano, expondo a complexa
interdependência entre a autoridade espiritual e o poder temporal. Sob essa ótica,
a trajetória de Joana pode ser interpretada como a metáfora viva do esforço
medieval de harmonizar duas ordens distintas de saber: a investigação da razão
filosófica e os dogmas da revelação teológica.
O paralelo com O Nome da Rosa (Jean-Jacques Annaud,
1986), adaptado da obra de Umberto Eco, aprofunda essa discussão a partir de
uma perspectiva invertida. Enquanto em Joana d’Arc a fé é retratada como
impulso puro e redentor, em O Nome da Rosa a religião está contaminada por
intrigas de poder, censura e o pavor do saber. Se o drama de Joana é a fé
pessoal que rompe com a razão institucional, o drama de Guilherme de
Baskerville é o da razão que luta para sobreviver sob a opressão da fé
dogmática. Assim, ambos os filmes abordam, por vias opostas, a mesma questão
central: a tensão dialética entre o crer e o compreender, entre a intervenção
divina e a busca humana pelo conhecimento.
Em última análise, Joana e Guilherme representam faces
complementares de um dilema histórico e filosófico permanente: a busca pela
conciliação entre a experiência da fé e as exigências da razão. Essa tensão,
que longe de ter sido resolvida na Idade Média, persiste como uma das grandes
interrogações da tradição ocidental, convidando à reflexão sobre os modos
possíveis de diálogo entre essas duas forças
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