HISTÓRIA DA FILOSOFIA IV - NEAD UFSJ FILOSOFIA FORUM 2

 

Conforme a Parte 2 (Marxismo) do livro História da Filosofia IV de Assmann, Dutra e Hebeche, com base no tratamento marxista clássico apresentado na obra.

(a) Modo de Produção

É a forma pela qual uma sociedade organiza a produção de seus bens materiais. Envolve a articulação entre as forças produtivas (como instrumentos, técnicas e trabalho humano) e as relações sociais de produção (as formas de propriedade e divisão do trabalho). Cada modo de produção (como o escravista, feudal ou capitalista) define uma etapa histórica específica do desenvolvimento social.

(b) Forças Produtivas

São os elementos que permitem a produção de bens e riquezas. Incluem o trabalho humano (força de trabalho), os meios de produção (ferramentas, máquinas, matérias-primas, tecnologia) e o conhecimento técnico-científico aplicado à produção. Representam o potencial material de uma sociedade para transformar a natureza.

(c) Acumulação Capitalista

Processo pelo qual o capital se reproduz e se amplia. O capitalista reinveste o lucro obtido da exploração do trabalho assalariado para aumentar sua produção, gerar mais lucro e ampliar seu domínio econômico. Esse processo leva à concentração de riqueza e poder em poucos, enquanto aumenta a exploração e desigualdade social.

(d) Relações Sociais de Produção

São as formas sociais que regulam a produção, distribuição e apropriação dos bens. Determinam quem possui os meios de produção e quem trabalha. No capitalismo, por exemplo, há uma relação entre burguesia (proprietária dos meios de produção) e proletariado (que vende sua força de trabalho). Essas relações definem as classes sociais e seus conflitos.

(e) Materialismo Histórico

É o método de análise criado por Marx e Engels para compreender a história humana. Afirma que o desenvolvimento das sociedades se explica principalmente pelas condições materiais de produção (a base econômica), e não por ideias ou crenças. As transformações históricas resultam das contradições entre as forças produtivas e as relações de produção.

(f) Dialética

Método filosófico herdado de Hegel e transformado por Marx em um instrumento materialista de análise. Em vez de considerar as ideias como motor da história, Marx aplica a dialética à realidade material. A dialética revela que o movimento histórico se dá através de contradições, conflitos e transformações, onde cada estágio contém as condições de sua própria superação.

(g) Praxis

É a ação consciente e transformadora do ser humano sobre a realidade. Para Marx, a práxis une teoria e prática: o conhecimento só tem sentido quando orienta a transformação concreta do mundo. Assim, a práxis é a atividade pela qual os homens produzem sua vida material e, ao mesmo tempo, transformam a si mesmos e a sociedade.

(h) Luta de Classes

É o motor da história, segundo Marx. As sociedades sempre se estruturam em classes com interesses opostos — uma dominante e outra dominada. A luta entre essas classes (por exemplo, entre senhores e servos, burgueses e proletários) impulsiona as mudanças históricas e pode levar à superação de um modo de produção por outro.

(III) CONSIDERE O TEXTO A SEGUIR ADAPTADO DE OS LIMITES DO CAPITAL DE DAVID HARVEY:

Tecnologia não é sinônimo de “ciência aplicada” nem é a única causa da nossa história. Ela é, antes, a forma concreta que o nosso processo de trabalho assume num dado momento. Tecnologia refere-se a ferramentas e máquinas, mas também o desenho do fluxo produtivo, a separação das tarefas, a disposição para o trabalho, os níveis de habilidade, os modos como cooperamos, coordenamos e controlamos. Examinar tecnologias concretas é um modo de revelar, ao mesmo tempo, o potencial produtivo num dado momento e as condições de vida cotidianas e das concepções espirituais de uma dada sociedade num dado momento. A partir do olhar para as práticas e as tecnologias que adotamos, podemos reconstruir passo a passo a complexidade observável da nossa sociedade. O nosso esforço em assegurar os meios de vida nos permite compreender como se desenrola a nossa relação com a natureza. Para avaliar os reflexos da adoção de uma tecnologia na nossa sociedade não basta medir o gasto físico de energia, metros por hora ou toneladas por pessoa; é preciso evidenciar o propósito social do seu uso e a extensão do seu emprego, para quê? Para quem? e a posição social dos agentes e dos afetados, quem executa o quê? Sob quais condições? Sob qual autoridade?

(IV) ANALISE O TEXTO À LUZ DOS CONCEITOS MARXISTAS INDICADOS NO ITEM (II);

O texto de David Harvey destaca que a tecnologia não é simples “ciência aplicada”, mas a forma concreta que o processo de trabalho assume em determinado momento histórico. À luz da Parte 2 (Marxismo) do livro História da Filosofia IV, de Assmann, Dutra e Hebeche, essa ideia corresponde ao conceito de forças produtivas, isto é, o conjunto de instrumentos, técnicas e saberes humanos que permitem a produção.

Harvey também chama atenção para as relações sociais de produção, ao questionar “quem executa o quê e sob qual autoridade”. No capitalismo, essas relações refletem a divisão entre quem detém os meios de produção e quem vende sua força de trabalho, expressando o caráter não neutro da tecnologia, usada frequentemente para ampliar a acumulação capitalista e o controle do trabalho.

Essa visão segue o método do materialismo histórico, que explica a vida social pelas condições materiais de produção, e adota uma perspectiva dialética, ao mostrar que o desenvolvimento técnico traz tanto progresso quanto novas contradições e desigualdades.

Por fim, ao propor uma reflexão crítica sobre o “propósito social” da tecnologia, Harvey aponta para a práxis transformadora, isto é, a ação consciente voltada à superação das formas alienadas de produção e à humanização do trabalho.

Assim, a tecnologia, no pensamento marxista, deve ser compreendida não como causa da história, mas como expressão das relações de produção que definem cada modo histórico de organizar a vida social.

(V) 10 PONTOS - FAÇA UMA POSTAGEM INICIAL DESTACANDO AO MENOS 4 DOS CONCEITOS E OS TRECHOS DO TEXTO QUE ILUSTRAM OS CONCEITOS;

A seguir, destaco quatro conceitos centrais e os trechos que os exemplificam:

– Forças produtivas: “A tecnologia não é simples ‘ciência aplicada’, mas a forma concreta que o processo de trabalho assume em determinado momento histórico.”

– Relações de produção: Harvey pergunta “quem executa o quê e sob qual autoridade”, o que chama atenção para a divisão entre quem detém os meios de produção e quem vende a sua força de trabalho.

– Materialismo histórico: A abordagem “explica a vida social pelas condições materiais de produção”, reconhecendo que tecnologia e trabalho se inserem num modo histórico de produção.

– Práxis transformadora: Ao problematizar o “propósito social” da tecnologia, o texto aponta para uma ação consciente voltada à humanização do trabalho e à superação das formas alienadas de produção.

Em suma: tecnologia não aparece como causa autônoma da história, mas como expressão das relações sociais de produção e das forças produtivas, dentro de uma dinâmica histórica que pode gerar progresso, mas também contradições e desigualdades — o que reforça a necessidade de uma práxis crítica e transformadora.

 

 

 

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