EPISTEMOLOGIA II - NEAD UFSJ FILOSOFIA TAREFA 2

 

A DIFERENÇA ENTRE CIÊNCIA E SENSO COMUM

    

Ernest Nagel, um destacado filósofo da ciência, é conhecido por sua avaliação cuidadosa e sistemática do processo científico, particularmente no âmbito do empirismo lógico e sua utilização em várias disciplinas científicas. Sua pesquisa se concentrava na lógica da investigação científica, na natureza das explicações e na estrutura lógica das teorias científicas, com o objetivo de compreender como o conhecimento científico é criado e organizado.

Ele via o método científico como um processo organizado de criação de hipóteses, testando-as com evidências empíricas e aprimorando teorias com base nos resultados e investigou a essência das explicações científicas, especialmente no que diz respeito à sua relação com leis, teorias e modelos destacando  a relevância de reconhecer os princípios e mecanismos subjacentes que elucidam os fenômenos observados. Também examinou a estrutura e a organização das teorias científicas, levando em conta suas relações lógicas, fundamentação empírica e poder explicativo, além de considerar como as teorias se transformam e se desenvolvem em resposta a novas evidências e desafios.

Nagel era reconhecido por sua perspectiva interdisciplinar na filosofia da ciência, fundamentando-se em percepções oriundas da física, biologia e ciências sociais. Ele procurou mostrar que, embora os temas sejam diferentes, as operações da inteligência científica seguem uma continuidade lógica básica e rigor na pesquisa científica. Ele argumentava que os conceitos e teorias científicas devem ser claramente definidos e articulados de forma precisa, a fim de possibilitar uma comunicação e avaliação eficazes.

Ele era um ardente proponente do ceticismo científico e da análise crítica de alegações, especialmente aquelas ligadas ao paranormal ou à pseudociência e  defendia que a pesquisa científica deveria ser orientada por evidências e raciocínio lógico, em vez de fé ou crença.

Em essência, o método de pesquisa de Nagel, era caracterizado por uma abordagem rigorosa, sistemática e interdisciplinar à filosofia da ciência. Ele procurava oferecer uma visão completa de como o conhecimento científico é criado, testado e aprimorado, destacando também a relevância da clareza, precisão e pensamento crítico na pesquisa científica.

Ernest Nagel investiga a conexão entre ciência e senso comum em "A Estrutura da Ciência". Ele sustenta que, apesar de as conclusões científicas muitas vezes se basearem em observações de senso comum, elas transcendem esse ponto, oferecendo explicações e interpretações sistemáticas.

Nagel enfatiza a capacidade única da ciência de explicar fenômenos, estabelecer relações entre fatos aparentemente não relacionados e oferecer conhecimento mais robusto e confiável do que a compreensão cotidiana e reconhece que as percepções do senso comum acerca do mundo constituem o ponto inicial para a pesquisa científica.

A principal diferença entre o senso comum e a ciência reside na busca para compreender não apenas o que é observado, mas também o porquê dos fenômenos. A finalidade da ciência é estabelecer relações causais e proporcionar uma compreensão mais completa das leis e processos naturais.

A compreensão cotidiana é frequentemente desafiada ou aprimorada pelo conhecimento científico. A obra de Nagel representa uma contribuição relevante para a filosofia da ciência, ao destacar a importância da lógica, da metodologia e da rigorosa testagem no processo de investigação científica. Ele defende que a ciência é uma atividade coerente e sistemática capaz de gerar um conhecimento e uma compreensão valiosa do mundo.

Ao longo da história, os homens sempre buscaram compreender o mundo ao seu redor. Dessa busca, surgiram duas formas distintas de conhecimento: o senso comum e o pensamento científico. O senso comum é uma forma de conhecimento baseada em experiências cotidianas, tradições e intuições, transmitidas de geração em geração. É subjetivo e assistemático, moldado por percepções individuais e coletivas de cada cultura.

Por outro lado, o pensamento científico surgiu da necessidade de compreender o mundo de forma mais rigorosa e estruturada. Esse tipo de conhecimento se baseia em métodos sistemáticos, observação, experimentação e análise rigorosa de evidências. O pensamento científico é objetivo e busca a universalidade, permitindo que o conhecimento gerado seja verificado e repetido por outros pesquisadores.

  A Revolução Científica foi um marco importante no desenvolvimento do pensamento científico, estabelecendo as bases para as práticas científicas modernas

O pensamento científico, por outro lado, começou a tomar forma durante a Revolução Científica, ocorrida entre os séculos XVI e XVII. Esse período foi marcado por avanços significativos em diversas áreas do conhecimento, como astronomia, física e biologia. Cientistas como Galileu Galilei, Isaac Newton e Francis Bacon foram pioneiros no desenvolvimento de métodos científicos que enfatizavam a observação sistemática, a experimentação e a análise rigorosa de evidências. A Revolução Científica estabeleceu as bases para as práticas científicas modernas, distinguindo-se do senso comum por sua objetividade e natureza sistemática.

Com o tempo, o pensamento científico evoluiu e se tornou uma ferramenta essencial para o desenvolvimento tecnológico e a compreensão do mundo natural.  Ao longo da história, a ciência tem evoluído, passando de observações e especulações para um método científico rigoroso, que é a base do desenvolvimento tecnológico e da compreensão do mundo natural. 

 Sua abordagem rigorosa e metodológica permitiu a formulação de teorias universais, como a Teoria da Evolução de Charles Darwin e a Teoria da Relatividade de Albert Einstein. Essas teorias não apenas expandiram nosso conhecimento, mas também desafiaram e, em muitos casos, substituíram crenças e práticas baseadas no senso comum.

Uma característica importante do senso comum é sua acessibilidade. Todos possuem algum nível de conhecimento baseado no senso comum, pois ele é adquirido naturalmente por meio da experiência de vida e da interação social. No entanto, essa acessibilidade também torna o senso comum vulnerável a erros e crenças infundadas.
Embora tenha suas limitações, o senso comum exerce uma função importante no dia a dia. Ele oferece uma base prática para a tomada de decisões ágeis e a solução de problemas urgentes. Contudo, é fundamental admitir suas limitações e estar aberto a questionar e reavaliar crenças fundamentadas no senso comum diante de novas evidências e do conhecimento científico.


       A principal distinção entre o senso comum e a ciência está na busca para entender, não só o que é observado, mas também o porquê dos fenômenos. A finalidade da ciência é estabelecer relações causais e proporcionar uma compreensão mais completa das leis e processos naturais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

FREIRE-MAIA N. A ciência por dentro Petrópolis: Vozes; 1991.

HESSEN J. Teoria do conhecimento Coimbra: Armênio Amado; 1964.

OLIVA A, organizador. Epistemologia: a cientificidade em questão Campinas: Papirus; 1990.

MERTON, R. K. Os imperativos institucionais da ciência. In: DEUS, Jorge Dias de. (Org.). A crítica da ciência: sociologia e ideologia da ciência. 2. ed. Rio de Janeiro : Zahar, 1979.

NAGEL, E. La estructura de la ciencia: problemas de la lógica de la investigación cientifica. Barcelona: Paidós, 1991. 

https://criticanarede.com/fil_histcienciass.html, ACESSO 01 de junho de 2025.

 

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SUMÁRIO

FILOSOFIA POLÍTICA I - NEAD UFSJ FILOSOFIA - TAREFA1

HISTÓRIA POLÍTICA II - FORUM 2 NEAD UFSJ FILOSOFIA