EPISTEMOLOGIA II - NEAD UFSJ FILOSOFIA TAREFA 1

 

QUESTÃO 1 (Carl Rogers)

Carl Rogers acredita que o principal papel do professor é facilitar o aprendizado, em vez de simplesmente transmiti-lo. Isso implica em criar um ambiente de sala de aula acolhedor, onde os alunos se sintam motivados a explorar, descobrir e assumir a responsabilidade pelo próprio aprendizado. Rogers destacou a relevância da atitude e da relação do docente com os estudantes, promovendo confiança, empatia e uma ligação autêntica,  onde os estudantes se sintam à vontade para se expressar, arriscar e errar sem temor de serem julgados.

Ao invés de ser a única fonte de conhecimento, o docente desempenha o papel de facilitador, orientando os estudantes em seu processo de aprendizagem.


       Mesmo quando os alunos enfrentam desafios, o docente deve exibir empatia, entendendo e acolhendo suas emoções. Isso engloba reconhecer cada aluno como um ser único e mostrar a eles uma consideração positiva incondicional.
       Rogers defendia que os educadores deveriam ser autênticos e transparentes com seus estudantes, permitindo que seus sentimentos reais fossem expressos em vez de se ocultarem por trás de uma máscara.

       O papel do docente transcende o rendimento escolar e inclui o desenvolvimento emocional e pessoal do estudante.

De acordo com Carl Rogers, um docente que adota sua abordagem centrada na pessoa, pode experimentar tanto aspectos positivos quanto negativos. De forma positiva, os docentes têm a capacidade de estabelecer conexões autênticas com os estudantes, ao criar um ambiente de aprendizado seguro e propício, no qual os alunos se sintam valorizados e habilitados para aprender. Por outro lado, essa abordagem pode ser demorada e exigir um grande esforço para estabelecer confiança e compreender as necessidades individuais de cada aluno. Gerenciar uma sala de aula em que os estudantes possuem um elevado nível de autonomia e o professor atua principalmente como facilitador do aprendizado, responsável por criar as condições necessárias para que os alunos prosperem e atinjam seu máximo potencial. Essa perspectiva destaca a relevância da conexão entre professor e aluno, bem como a criação de um ambiente de aprendizado que seja acolhedor e solidário.

A autenticidade, empatia e consideração positiva incondicional de um docente podem resultar em vínculos mais profundos e significativos com os estudantes, fomentando confiança e respeito.

 Ao estabelecer um ambiente seguro e acolhedor, os educadores podem encorajar os estudantes a se arriscarem, explorarem novas ideias e se engajarem mais no processo de aprendizagem.

 Quando os alunos se sentem valorizados e compreendidos, sua motivação intrínseca para aprender pode aumentar, levando a um maior sucesso acadêmico e crescimento pessoal.

 A abordagem de Rogers enfatiza também, a autonomia e a autodireção do aluno, capacitando-o a assumir a responsabilidade por seu aprendizado e desenvolver um senso de responsabilidade.

Quanto aos aspectos negativos;

-desenvolver vínculos sólidos, compreender as demandas individuais e promover o aprendizado personalizado pode demandar tempo e requer um esforço considerável do docente.

- Especialmente em turmas maiores, dar mais liberdade aos estudantes pode gerar dificuldades para preservar a ordem e a organização da sala de aula.

- Os estudantes podem interpretar erroneamente a abordagem empática de um docente como ausência de autoridade ou orientação, o que pode resultar em desorientação.O esforço emocional intenso exigido para sustentar um ambiente constantemente empático e acolhedor pode ser exaustivo para os docentes, resultando em possível esgotamento.

QUESTÃO 2 ( Jean Piaget )

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget sugere que as crianças passam por quatro estágios diferentes de aprendizagem. Sua teoria se concentra não apenas em compreender como as crianças adquirem conhecimento, mas também em compreender a natureza da inteligência.  Os estágios de Piaget são:

·         Estágio sensório-motor : Do nascimento aos 2 anos

·         Estágio pré-operacional : idades de 2 a 7 anos

·         Estágio operacional concreto : idades de 7 a 11 anos

·         Estágio operacional formal : 11 anos ou mais

Piaget defendia que as crianças têm um papel ativo no processo de aprendizagem, comportando-se como pequenos cientistas ao realizar experimentos, fazer observações e adquirir conhecimento sobre o mundo.  As crianças estão constantemente adquirindo novos conhecimentos, construindo sobre o que já sabem e adaptando ideias anteriores para acomodar novas informações à medida que interagem com o mundo ao seu redor.

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget abrange quatro etapas: sensório-motora, pré-operacional, operacional concreta e operacional formal. Cada etapa é marcada por formas únicas de pensar e se relacionar com o mundo:

1. Estágio sensório-motor (do nascimento aos 2 anos): Durante esse período, os bebês adquirem conhecimento principalmente por meio dos sentidos e das ações. Um bebê agitando um chocalho é um exemplo claro. No começo, o bebê pode sacudir o chocalho de forma aleatória, mas, por meio de ações repetidas e feedback sensorial (como ouvir o som do chocalho), ele aprende que sacudi-lo gera um efeito específico. Outro avanço significativo é a permanência do objeto, ou seja, a noção de que os objetos continuam a existir mesmo quando não estão visíveis. Por exemplo, se um brinquedo estiver oculto sob um cobertor, um bebê que já desenvolveu a noção de permanência do objeto irá buscá-lo ativamente.

2. Estágio Pré-Operacional (2 a 7 anos): Este estágio é marcado pelo desenvolvimento da linguagem e do pensamento simbólico. Uma criança neste estágio pode se envolver em brincadeiras de faz de conta, como usar uma banana como telefone ou um bloco de brinquedo como carrinho. No entanto, seu pensamento ainda é limitado pelo egocentrismo, o que significa que ela tem dificuldade em ver as coisas da perspectiva de outra pessoa. Por exemplo, uma criança pode oferecer aos pais um brinquedo com o qual ela mesma está brincando, presumindo que eles também o queiram. O animismo, a crença de que objetos inanimados têm qualidades semelhantes à vida, também é comum. Uma criança pode achar que seu bicho de pelúcia fica triste quando é guardado.

3. Estágio Operacional Concreto (7 a 11 anos): Durante este estágio, as crianças desenvolvem a capacidade de pensar logicamente sobre eventos concretos e objetos físicos. Um exemplo clássico é o conceito de conservação. Se uma criança recebe dois copos d'água idênticos e, em seguida, um copo é despejado em um copo mais alto e fino, a criança neste estágio compreenderá que a quantidade de água permanece a mesma, apesar da mudança na aparência. Ela também consegue compreender que as propriedades de um objeto (como peso ou volume) permanecem as mesmas mesmo que sua forma mude (como enrolar argila formando uma cobra).

4.  Estágio Operacional Formal (11 anos ou mais): Este estágio é marcado pela habilidade de pensar de forma abstrata e raciocinar de maneira hipotética.  Um exemplo disso é a compreensão de um adolescente sobre o conceito de justiça ou equidade, mesmo na ausência de exemplos concretos.  Além disso, ele é capaz de lidar com questões complexas levando em conta diversas possibilidades e formulando hipóteses.  Por exemplo, um jovem pode entender e usar o método científico para investigar um problema, experimentando diferentes variáveis e chegando a conclusões baseadas em evidências.

REFERÊNCIAS

- BELÉM, Diana. CARL ROGERS: DO DIAGNÓSTICO À ABORDAGEM CENTRADA   NA PESSOA Recife: Bagaço,2000.

- GOULART, Í. B. (2015). Psicologia da educação: fundamentos teóricos e aplicações à prática pedagógica. (21. ed.). Ed. Vozes.

- PIAGET, J.. Psicologia e Pedagogia. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Forense/ Universitária,

1976.

- PIAGET, J.. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

- PIAGET, J.. Seis Estudos de Psicologia. 13ª. Rio de Janeiro: Forense/ Universitária,

1985.

- ROGERS, C. (1985). Liberdade de aprender em nossa década. Ed. Artes Médicas.

- ROGERS, C.R. Sobre o poder pessoal. São Paulo: Martins Fontes, 1978.

- TARDIF, M.; LESSARD, C. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2014.

 

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